Escreve Antón Reixa um atrapalhado artigo no EL PAIS sobre os detractores da dita Cidade da Cultura (a.k.a. Monte Gaiás). Como desta volta Reixa não malhou no reintegracionismo, aproveitou para o redigir em espanhol (talvez para evitar disfuncionalidades ortográficas ou atavismos).
Digo que é atrapalhado porque começa com que o mausoléu cultural post-fraguiano é um “acto despótico y megalómano, enfermo genéticamente de exageración e hipertrofia”, porém conclui que, bom, o dano já está feito, tás a ver, o que é que imos fazer agora? Pois apoiar “patrioticamente” a Conselharia/o governo, não importa a estupidez de cada decisão, e os seus saraus culturetas na procura da utilidade da Inutilidade. Pena que essas “indicações” dos agentes culturais foram triviais e elementares e que ainda não deram nem um só motivo para a esperança.
Bem, motivo, motivo, há um que é a fé. E que tanto dinheiro e tantas cacholas juntas dêem com a quadratura do círculo para roubarmos visitantes ao Pompidou ou o Guggenheim noviorquino (ha, ha). Mas isto é já acreditarmos nos milagres, não importa a publicidade governamental (assessorada ou não) que nunca vão iludir a gente com pirâmides megalómanas numa época de tecnologias virtuais e portáteis. O pessoal não é parvo e distingue, muito melhor do que qualquer Conselharia de orçamento milionário, entre as infraestruturas necessárias e as prescindíveis.
A película Tirante El Blanco (sic) custou 14 milhões de euros e no entanto, foi um fracasso; na bilheteira apenas apanhou 1,5 milhões de euros (botem contas do negócio) e foi nomeada a um prémio à pior película espanhola do ano. Os produtores perderiam o tempo se quiserem explicar ao público que os detractores do filme são patéticos porque “já gastámos muito dinheiro” ou “consultámos a muitos historiadores, escritores e agentes culturais”. Não se pode diminuir a desfeita com escusas deste género. Os detractores de ACDC com certeza foram bem ganhos.

