O Cientista Naturalista

Miguel Delgado era bigilante do turno da noite do Museu da História Natural. Era um trabalho solitário que basicamente consistia em deixar passar a noite sem que a noite passa-se por ele. Miguel leia banda desenhada, cantoralaba palabras desligadas, passeaba um bocadinho, café e cigarros, cigarros e café, apalpaba nos cartazes e figuras como um catibo sem pais, e sobretudo… logo se aborrecia. Demasiado rapidamente talvez.

Já bisitara o museu durante o dia um par de bezes, misturado entre os bisitantes, e sempre achara um local interessante e entretido. Mas de noite era outro conto, então a exposição semelhava uma trangalhada escolar de fim-de-curso, nada excitante. E não habia ninguém com que falar de todas as obbiedades científicas que desconhecia. Miguel pensou que, se não se podia comentar com alguém, nem pagaba a pena estar lá. Pegou na lista telefónica e discou ao acaso.

-Uh?
-Boa noite, não quererás bir ao museu dar uma boltinha?
-O quê? Quem é? São as duas da madrugada…
-Desculpe…

Nãaa…. não se podia atrair a gente fora de hora. Assim que pegou as cintas das câmaras de seguridade e começou a obserbar os bisitantes dos turnos de dia. Não habia som, polo que era difícil saber de que falabam. Começou a bisiona-las em modo rápido e não funcionaba, demasiado estranho, demasiado distante. Bolbeu a modo lento e começou a analisar a frequência e a belocidade dos passos, miradas, linguagem gestual, as mãos, as olhos, aonde olhabam mais, o que debiam estar a dizer ou pensar. Não era muito, mas só precisaba experiência para adibinhar. Probabelmente muitos deles tinham segredos que ocultar, bidas duplas talbez esquecidas durante uns minutos no museu, estabam a fugir de alguma cousa e ele interpretaria os desenlaces dos personagens que andabam nos telebisores. Era o seu deber, já não era mais um vigilante, era um cientista naturalista da espécie humana.

Miguel começou a dormir menos, passaba o dia a pensar nos seus nobos companheiros da noite, e começou a lebar um registo polo miúdo de todos eles. Cada noite binham mais e quantos mais tinha, amarrados nas páginas, mais necessidade tinha de lhes dar bida, força e realidade. No entanto, tinha a sensação de que já começara a repetir-se. Começou a bisitar o museu de dia para espreitar de perto, em cor e com som, a oubir conbersações alheias para as suas notas infinitas que cresciam. Uma noite morreu totalmente esgotado, depois de demasiados dias sem dormir fazendo horas extraordinárias para a classificação entomológica duma turma de turistas chegados de Japão. Caiu redondo entre folhas e folhas de identificações imaginárias que os inbestigadores não souberam decifrar. Nenhuma câmara grabou a sua morte porque a sala de monitores era a única que não tinha sistema de grabação.

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One Comment

  1. helena lopes
    Posted Maio 19, 2009 at 9:05 pm | Permalink

    ta fixe


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