Crise

Os anos passabam e as palabras que não importam deborabam as poucas que contam, como peixes apanhados por redes demasiado apressa. Com as fronteiras indefesas os bárbaros assaltaram o meu país facilmente, quebraram os muros da indiferença, arrasaram aldeias de crenças e debastaram campos de preconceitos. Obrigaram-me a decidir e a minha cobardia natural rendeu-se aginha. Conbertim-me em mais um bárbaro e continuamos caminho até nobos países de fracas defensas e bontade autómata. Desde então, pálido como a lua caminho entre os peões. Há muita inseguridade e frio, olhares perdidos ao futuro enquanto não conseguimos reduzir os ruídos do nosso passado. Precisamos é de mais ruído moderno que nos afague, como há gente que dorme melhor com tormentas de lôstregos. Os meus camaradas hesitam e desconfiam de mim, como eu deles, porque o único que compartilhamos são os sintomas. As enfermidades são diferentes. Quantas pessoas, quantos países haberá como nós?

Interessa-nos tanto o que acontece longe de nós que não podemos entender porque somos nós os que acordamos cobridos de suor frio. E ninguém quer resgatar-nos. Não até que não tenhamos mais reféns.

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