Descida

Trilho

Ontem fum andar de bici e levei a câmara para tirar umas fotos. Quando cheguei à casa dei com esta imagem e pensei: -Hei! Não pode ser, essa costa na realidade vai pra abaixo! Com a perspectiva parece que vai para arriba. Porém, só é um efeito óptico talvez produzido polo barranco lá contra a curva. Cá não há nem que pedalar senão poupar forças uns minutos até que começam de novo as subidas. (É uma pena que não converta as subidas em descidas, dava-lhe um jeito).

Temos um inverno do género “Ano Zero” por cá, com o monte queimado em toda a parte. Um pouco triste, nalgumas zonas a situação é quase de paisagem alienígena (aproveitem cineastas) e não presta tanto andar a pedalar entre toros negros, pólas a apodrecerem, muita pedra e pouca lama. (Pouca lama porque não chove). Bem, tampouco gosto da peste eucaliptal -e quase tudo o que resta já são pinheiros e eucaliptos, mais ou menos carbonizados- mas ter um monte preto que nem o carvão é muito pior.

lume.jpg

Bah, talvez já não tenha remédio. Num dos futuros distópicos da Galiza, o país será uma grande megalopolis acostada à beira mar onde jamais se verá o sol (pola contaminação), centos de kms de zona industrial e urbana nascidos todos no lado errado da ferrovia. Para pisar vegetação a malta terá de fazer viagens às deprimidas comarcas orientais ou visitar parques artificiais onde tudo estará bem arrumado, carvalhos perfeitos de fibra óptica, esquilos obedientes e por aí diante. A gente nem piará porque a mudança será progressiva e de qualquer jeito é inevitável.

Num dos futuros utópicos, haverá menos algum eucalipto e pronto. É mais fácil o primeiro do que o segundo.

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