À Margem

O pior de ler as tuas próprias linhas (lê-las com calma, quero dizer, não como quem desliza o olhar furtivamente como se fosse um acidente automobilístico e logo esquece porque há mais curvas na frente)… bem, não há palavras para compreender a dor que se sente, é como uma fisgada no fígado, ai. Eu escrevo notas nalguns livros que leio, a maioria do género oh-sim-tu-sabes-do-que-estás-a-falar-eu-sinto-me-exactamente-igual ou bem não-não-isso-não-dá-de-nenhum-jeito-ajjjj. É um hábito babeco porque quando a polícia me detiver o primeiro que fará será lê-las e tirar conclusões.

-Olha, Ricardo, que querias dizer com: «este gajo não saberia o que é a «Verdade» nem que lebasse no cu com ela»

-Glup, escrebim eu isso?

-E com isto de «e não é o queremos todos? enganar as pessoas com pequenas armadilhas interpessoais para que se bejam obrigadas a amar-nos»?

-Buf, nem me lembro, está escrito aí de berdade?

Vou riscar algumas cousas.

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