Os delírios sempre são dos demais

O mundo é bastante grande. Sei isto porque J. sabe isto. Ele estivo em muitas partes, até em países que não aparecem nos mapas que temos na escola. J. pensa que os mapas são mais bem mentireiros porque ao cruzarmos fronteiras não mudam as cores do chao. E os rios nem sempre são azuis, às vezes são verdes ou tenhem outras tonalidades de azul de nomes impossíveis. De facto o nosso rio é dum azul cuspidinho ao do mapa, mas como fica perto suponho que não conta. J. andou muitos caminhos e sabe que dez quilómetros podem ser muito mais que dez quilómetros. Também podem ser menos, mas isto não interessa porque não te apercebes, é como que chegas e já passaram e então não importa nada. J. conta que noutros mapas, longe daqui, somos nós quem não aparecemos. Não é que me importe com isso, J. vai e conta-lhes cedo ou tarde.

O mundo tem bastante gente. Sei isto porque J. sabe isto. Ele conhece um anano que muda de cor; quando se enfada fica mais bem vermelho, e quando vai frio (muuuuuito frio) mais bem azul. Claro que é mais espectacular vê-lo que contá-lo, e se minha irmã não fosse tonta poderia imaginar o anano enrabechado num dia de frio, e seria mesmo engraçado. Antes eu ria com isto, mas J. pensa que afinal o pessoal é mais bem parecido em todas partes, só que diferente uns dos outros mas não por estarmos ou estarem cá ou lá. E que não está bem rir nem sequer da gente pequena (ou sobretudo deles) porque talvez nalguma parte alguém está a rir de ti às agachadas e a que não gostarias disso, a que não. Assim que minha irmã não era assim tão tonta afinal de contas, e gosto disso porque em segredo adoro minha irmã, suponho. J conhece também minha irmã, claro que conhece muita gente, mas Ugia deve ser verdadeiramente diferente porque, vamos, é a única que me levava leite quente quando apanhei a friagem. J. não sabe disto porque ainda não lho contei e eu também tenho algum segredo próprio para poder contar caso surgir a ocasião, ou apenas para poder pôr olhos misteriosos.

No mundo há bastantes animais. Sei isto… oh, já sabes o que quero dizer. Nós só temos o Snow que é neve em inglês mas em galego só é um cão branquinho que move a cauda quando chegamos das aulas e come e dorme o tempo todo e não fai mais nada. Adoramos Snow. Antes tínhamos a Marisa que não é inglês senão um nome um pouco tonto para uma vaca. Agora só o Snow. J. viu elefantes brancos amestrados e diz que são inteligentíssimos e super-pacíficos e que movem árvores com a tromba. Só que um elefantinho toleou de vez e foi matar duas pessoas e isso é algo que me entristece um bocadinho e quê mal que o elefante não devia ter feito isso por amolado que estivesse. J. diz que não devemos julgar um grupo por uma pessoa (ou por um elefante) e que, ainda, todos podemos ter momentos melhores e piores e que avonda com uma parvada para converter um dia de sol num mau dia em Beirute. Não sei o que quer dizer com isso.

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One Comment

  1. Posted Janeiro 28, 2007 at 2:15 am | Permalink

    O J. ese é un tipo adoravel. É para vostede, unha sorte viaxar ao seu lado.
    Foi un prazer coñecelo.


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