Pontos de Fuga

Acordo em chamas porque ninguém chamou por mim e o incêndio do teu passado chega lento e silencioso ao meu presente. Um lume apaga outro lume; o teu submerge as minhas tatuagens, os desenhos cifrados para olhos sedentos. Observo as minhas mãos tornadas nas duas actrizes principais do espectáculo, capazes de envolverem os meus pequenos universos desfeitos numa única bola vermelha de limites indefinidos. Os espelhos deixam de oferecerem o meu reflexo, e já não sei se tenho as pupilas em lume ou ao contrário. Como horizonte apenas há um céu de nuvens laranjas, com formas de inúteis relógios sem ponteiros. Até o sol está perdido. O cimento bate-me nos pés e as palavras caem desde os edifícios. Afasto-me dos muros e dos objetos, caminho pola areia enquanto afundo lentamente até ser preso e espero e espero e espero. Estou a arder e espero polas ondas que me baptizarão com um novo nome.

Todas as minhas manhãs.

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