Silêncio

Deixavam a gente sonhar com o seu futuro tranquilamente. Viver na cidade ou caminhar polo deserto sem dar explicações. Não havia portas fechadas, e as janelas nunca vigiavam. Chegavam visitantes que se admiravam com a beleza silenciosa da cidade. Só durante uns segundos, porque logo se esquecem as vielas que não nos levam a nenhures. Eu tinha a vontade ganha de matar o príncipe. A sua majestade era o último descendente da tristeza da sua região, agora e sempre livre e perdida na imensidade.

O único tabu social era falar demais, porque a verdade podia concentrar-se em poucas palavras como a chuva se concentra naquele reino em poucos dias. Era o silêncio o que construía os muros, o que afastava os miúdos da idade adulta e os adultos do mundo. Eu queria matar o príncipe. Não suportava a sua real dignidade com a que deixava zarpar as cantigas da gente rio abaixo. Mas não podia porque eu era o príncipe e o único com guardas e vigilantes quando mergulhava até o fundo das augas para emergir ante os meus conformes súbditos. Ninguém conspirava contra mim, e sentia-me triste e só.

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One Comment

  1. Posted Fevereiro 27, 2007 at 7:06 pm | Permalink

    Sinto muito muito muito não ter tempo para ler seu texto… estou numa lan… mas meu computador não vai ficar estragado pra sempre, eu prometo. daqui a 5 dias eu estarei de volta!!! kkkkkkkkk bjs e obrigada pela visita que foi bem melhor q o meu texto…


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