Dedos de tinta

Há sonhos mais cruéis. Sonhos que continuam o eco dos medos, onde as moças te deixam com uma carta e uma viagem de avião, o dia anterior ao aniversário como se fosse uma fugida da justiça. Nem era necessário. Mas como não há valor, deixam uma carta com todos os sinto e os não tinha pensado que fosse assim. São cartas estranhas, porque são tão nítidas que quase podes cheirar a tinta que se pega nos dedos. E são moças estranhas porque te amam durante um bocado

e desde há cinco minutos, ou talvez precisamente por isso

e parece que tudo vai bem e pensas que poderias ir com ela algures, a qualquer parte onde quisesse esta noite e ri como um cúmplice mas não nega. E depois vai, soa, como que assustada de tanta felicidade. Caramba, como há sonhos cruéis a 300 beats por segundo. Nada originais porque não tenho orçamento para mais, mas cruéis como montes crepusculares afogados nas rias.

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