Os Pequenos Secretos

Desde pequeno escondo os meus pequenos secretos numa caixa enterrada entre livros juvenis. Sempre que ganho um novo secreto subo até o faiado, caminho entre a desordem, e abro o cárcere de mentiras. Tiro um Conde de Montecristo, um Robinson Crusoe, um Pequeno Vampiro, etc… antes gostava destes títulos. Foram exilados porque precisava dalguns deles e escolhim os mais populares, os mais ingénuos e inofensivos, os menos pedantes. E porque comecei novo a fazer estes exercícios de desaparição de identidade.

Abro a caixa e se tenho tempo reviso os erros passados e prometo uma mudança de atitude. Os muros continuam forrados de letras de ferro, só preciso dum pequeno furo até o esquecimento. Então chega a execução entre as ruínas. O novo não sabe que vai acontecer, pobrinho, conto-lhe qualquer historinha antes de vir cá. Logo desaparece, nuns segundos reconstruo o tecto e fim.

Sei que é um auto-engano, mas tenho este costume assente. Faço como o viageiro que secretamente odeia os turistas com os que é confundido, como o que não se importa com ir perdendo as malas de propósito se entorpecerem a fugida. O único que sei é que estou a mover-me lento demais. Secretamente tenho ganas de abrir a caixa do demo e compartilhar todo o pouco que tenho e não tenho. Deitar as cores pola janela.

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