Eliminar as provas

Como não suporto as despedidas sempre vou na estratégia do covarde. Deixo uma nota ou alguma mensagem dizendo que sinto muitíssimo que tudo termine deste jeito (seja o jeito como for, quase nunca é para bem). É uma mágoa não podermos compartilhar mais tempo, seguiremos em contacto, etc, escreve ao email, telefona-me, agora não há distâncias, logo terás férias e voltarás, eu poderia ir alguma vez e outras mentiras.

Só que as mentiras sempre volvem, podem passar-se semanas, meses ou anos. Quanto mais tempo é pior, porque são como uma onda de tsunami que vai pegando força e força e quando chega às minhas costas arrasa-me. É o surpreendente o que acontece com a memória das pessoas; a tendência natural, eu penso que de auto-proteção, é só seleccionar os bons velhos momentos. Mas isto não quer dizer que esqueçam o demais, e quando fam memória de verdade, oi rapaz, aí é que tens um problema. No mundo real não existem elixires que apaguem memórias, e não tenho orçamento para contratar serviços secretos que eliminem as provas físicas, ou agentes de imprensa a defendarem a minha reputação.

Já não sei que queria dizer com isto.

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